domingo, 25 de agosto de 2013

VIOLENCIA PURIFICADA

Apetece-me toda a violencia possivel.
Desabafar de forma descontrolada,
contra tudo, contra todos e contra nada.
O motivo, acho que nao esta escolhido,
nem sei se o havera, absolutamente.
Apenas uma descarga de adrenalina mental,
apenas os meus neuronios perplexos,
em afluencia nervosa de sinapses carentes.
Sinto a violacao dos miseraveis indefesos,
dos que nao fingem, dos que nao tem opcao.
As aberracoes humanas comecam aqui,
no espaco inerte das probabilidades,
onde apesar de ser identificada a doenca,
apesar de haver cura, nao haja quem queira curar.
Eu quero, mas sou inofensivo, na determinacao.
Os meios nao os tenho, alem das letras vazias,
cheias de atitude discutivel, a nao ser escarnio,
critica e irreverencia reprimida a esta frustracao.
Quero penalizar os culpados com tortura virtual.
Assediar as consciencias corruptas dos abutres.
Acabar com o alimento nos cadaveres que criam,
mas assim, usando os corpos, ainda vivos,
talentosos, com um sorriso irreversivel de felicidade.
Quero que se alimente o egoismo monetario,
mas que engordem os sentimentos humanos.
Todo o resto me cria nauseas dolorosas.
Apenas preciso de ar para respirar,
alimento para sobreviver, alem de que
a mente, seja um cristal hipotetico,
e me entregue, a purificacao da existencia.
Apenas quero ser feliz!
Comigo, e com o Mundo!


  Carlos Lobato
 
Terra bem amada

Logro abrir a mente ao teu cantar
Vou suspirando tua aurora
Alegra-me tuas cores de madrugar
No verão,no sonho e no teu luar.

Louvo esta terra onde habita o desencanto
Palmilhada por audazes caminhantes
Sacudindo o torpor
Com clarões de amor
E sombreando a luz com suaves cambiantes.

Terra amada,enfunada
de cujos mares se exploraram
A Índia,
serpenteada de mil sóis,
evanescentes,
tolerantes,
pátria de frutuosos sonhos.
E nela se calcorreia
a ética da gratidão,
se esvoaçam as aves,
salpicando o avermelhar
do sol-pôr.
E se pinta o teu
retrato na areia
da praia.
Vale mais ser,
gritar a terra bem amada
e não ter fantasias
e supôr.

Agostinho Borges De Carvalho
 
Edos de Esperança

O piano toca baixinho,
Como meu pranto, pequeno,
Absoluto em cada palavra
Ora versada,
Ora incontida,
Sempre ébria...
Como a chuva regando o pomar!

Nada que vem d’alma
Magoa ou machuca,
Traz pelo traço a voz,
O olhar voltado para o cálice,
As cores de uma nova poesia
A ser escrita em meandros
Alçados pelo luar!

Ah! Está dor...
Calada, inebriando o tempo,
Os ventos que trazem o amor
Em todas as tuas silhuetas
Peroladas em edos,
Edos da esperança,
De renascer por todo o jardim!

Abençoada seja a tua centelha!
Auber Fioravante Júnior
 
Que mundo é o meu?

Porque nasci sem pedir
Eu que nem sou deste mundo
Que faço aqui afinal
Que rosas foram plantadas
Neste jardim tão calado
Onde o resto das flores geme
Um nevoeiro tão cerrado

Poetas dos meus sonhos
Vinde a mim e dizei
Que caminhos são estes
Longos e medonhos
Como a noite que se esgueira
Silenciosa e audaz
Vestida de preto e olhos de luar
Rosto de palha, feito esteira

Porque nasci...
Eu que nem sou deste mundo
E de que outro serei?
Este não o compreendo, não é o meu!

ALDA MELRO
 
ROSA FLOR, ROSA MULHER, ROSA COR

Da rosa bela flor
que enfeita o meu jardim
à rosa do meu amor
com sua beleza sem fim.

Da Rosa bela mulher
que é romântica e pura
à rosa do meu prazer
que é fogo e aventura.

Da rosa com linda cor
feito amarelo e vermelho
mesmo em cor és um amor
és fonte do meu desejo.

Oh!...bela rosa que enfeitas
o canteiro do meu jardim
vem rosa, sei não me enjeitas
pois quero ter-te só para mim.

Oh!...Rosa como eu queria
ter-te aqui comigo agora
meu coração não sofria,
mas tivemos de ir embora.

Volta minha querida Rosa
volta que estás perdoada
vem deslumbrante e vistosa
porque sem ti não sou nada.

Joaquim Barbosa
 
SEM NUNCA FAZER ALARDE

O vento entrou de mansinho
Dentro do meu coração
E saiu devagarinho
Deixando apenas paixão…

A paixão que me atormenta
Nos meus dias sossegados
É a saudade que aumenta
Dos beijos que foram dados…

Dar beijos a quem não merece
É uma grande loucura
É uma mágoa que aquece
Meu coração de ternura…

Ternura dentro do peito
Onde o meu coração arde
Vou partir e deste jeito
Sem nunca fazer alarde…

Esta ternura que sinto
Por quem de mim se esqueceu
Verdade de alto plinto
Meu amor …amor meu…

Meu amor eu nunca minto…

MARIA JOSÉ SARAIVA GASPAR GONÇALVES
 

sábado, 24 de agosto de 2013

ENCANTAMENTO

Nas tuas margens
cresce a sombra rubra
onde me abrigo
e deito.
E cresce nas margens
do meu corpo
o desejo de te despir
e calar o grito
dos teus ais noturnos.
Nada é mais terno
nem mais intenso
que o amor feito das palavras
que nos damos.
E vivemos mastigando
desejos e esperanças
no amanhã.
Que seja azul ,
rosa e branco,
das cores com que se veste
a palavra Encanto.

Paula Amaro,