segunda-feira, 8 de julho de 2013

SEGREDO

Deixastes pegadas na areia
Caminhaste
Depois da noite em lua cheia
Fugiste
Logo veio alvorada
pássaros a cantar
Encantos do amanhecer
Perfume no ar
Percorro com os olhos
Teus passos
Sumindo no espaço
Respiro orvalho
Espalhado no ar
Deixaste pegadas na areia
Em noite de lua cheia
Depois de me amar.

Teresinha Lydice Cardoso. 
 
PLANEADO E DESEJADO

A um passo do abismo,
no último instante
de uma vida perdida…

No fio da navalha
sentindo o sangue
fervilhar nas veias…

De olhos postos
num horizonte
ali tão perto…

Num mergulho dado
sem medo do impacto
que a queda teria…

Uma perda de medos,
um negar de sofrimento
e apagar de tristezas…

Lágrimas não caídas
num rosto marcado
por dores sem fim…

Final planeado, ou não,
evitável, ou desejado,
ao qual não se fugiu…

Dor já não sentida,
vida quebrada em fim,
sem memória deixada,
ou qualquer remorso
pelo passo agora dado
sabendo desde sempre
que regresso não haveria!

Hugo Oliveira ©
 
Mergulha nos meus silêncios
Como se estivesses a mergulhar no mar
Profundamente...
conseguirás ver...
As estrelas coloridas e cintilantes
As conchas com as suas pérolas brilhantes
Na superfície de mim pouco verás
Só ondas brandas e suaves
Que abraçam a praia e voltam
Para tornar a abraçá-la
Bem no fundo sou mistério
Paixão
Vida
Sedução
Beijo que treme
Carícia que arrepia
Voz que envolve e abraça...a magia
Mergulha e sentirás
Um coração que bate acelerado
Um corpo que parece frágil
Poder da onda que envolve
Fundo do mar que te renova
Só se mergulhares bem fundo
No mar dos meus sentimentos irrequietos
Poderás perceber o meu calor
Enlouquecer
Sonhar e viver
Beber o meu amor
Mergulha...

(Cris Anvago)
 
DESEJADA

A lua afogueada com o calor
desfilou ardente e nua no céu
mas o sol entendendo o seu amor
fez condensação em forma de véu.

Formou nuvens muito ligeiras
quase parecendo tule ou cambraia
que esconderam as ternas maneiras
e formaram uma bela e airosa saia.

Assim mais tranquilo e confiante
o sol partiu para outros destinos
pois satisfez as tentações da amante
e deu-lhe os frescores vespertinos.

Calma, feliz e bastante mais leve
ela sentiu-se muito mais amada
e agradeceu ao seu amor tão breve
a delicia daquela oferta desejada.

Antonio Sanches
 

domingo, 7 de julho de 2013

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Sentir o mar

A brisa de vento sopra nas folhas brancas caídas no chão.
E os sentidos,paliativo nestes momentos,acompanham a subida e o esvoaçar destas folhas até ao mar.
Lá ,sulcamos vontades e navegando,atiçamos os prazeres e a paixão que
embelezam teu corpo.
E olhando-te todo sexo se inebria.
Mas na superação destas banalidades,se renova o enfoque desta realização no mel da tua cultura de intimidade e na tua transparência.
E nos reflexos das águas,escrevo e tatuo teu nome na pele e soletro-o como
de superação deste além de mim.
E na natureza com o cantar dos pássaros há harmonia de ti.
Serei feliz em saborear as lágrimas nesta terra desejada e farei de ti o centro desta luminosa promessa.
Serei amor e luar.

Agostinho Borges de Carvalho
 

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NO CAIS DA ALMA

No cais da alma desembarcam os desejos,
vãs quimeras que se esfumam em bocados.
Primaveras que florescem mil ensejos,
como as rosas se enamoram pelos prados.

Ancoradouro de sonhos, de eternos beijos,
Pátrias errantes, de humildes mal amados.
Biblias de homens, que remoçam seus gracejos,
sangue de heróis, que se escoa nos seus brados.

A Terra chora a fila da ingratidão,
sua dor eterna, o guerrote que lhe dão,
sufocos que se esvaem em grãos de pó.

Nas serranias o sol vinga e “anda a monte”,
Procura a paz nos sussurros duma fonte
e eu procuro os teus lábios, estando só.

Manuel Manços
 

NA BOCA DA NOITE

 
NA BOCA DA NOITE
Garganta rouca,
Gritos rotos,
Da louca ávida.
Noite além,
Sem ninguém.
A voz rouca implora:
Não me deixaram
Contar a história
Louca de um certo
Amor, que começou
Na boca da noite,
Sem Luar!

Vanuza Couto Alves