Virando as páginas
Deslizo a polpa dos dedos
pelo papel antigo.
Sinto as rugosidades,
o leve estalar
das páginas envelhecidas.
O cheiro de anos de vida
desprende-se a cada toque.
É um aroma único, que me sossega
pensamentos tumultuados.
Conheço o conteúdo de cor.
Mas é sempre nova
a vontade de decifrar
o mistério que repousa
no avesso das letras.
Decifrar a determinação
de quem o escreveu,
o porquê das mãos
que o folheavam,
que olhares devassavam
as linhas que já foram nítidas.
Sempre que a ironia dos dias
me magoa e me rapta o sorriso,
penetro no livro, que me traz
uma juventude de séculos,
com o mesmo desejo
com que penetro
e descodifico,
como se virasse
páginas de pele quente,
o corpo de quem amo...
© Rita Pais
Deslizo a polpa dos dedos
pelo papel antigo.
Sinto as rugosidades,
o leve estalar
das páginas envelhecidas.
O cheiro de anos de vida
desprende-se a cada toque.
É um aroma único, que me sossega
pensamentos tumultuados.
Conheço o conteúdo de cor.
Mas é sempre nova
a vontade de decifrar
o mistério que repousa
no avesso das letras.
Decifrar a determinação
de quem o escreveu,
o porquê das mãos
que o folheavam,
que olhares devassavam
as linhas que já foram nítidas.
Sempre que a ironia dos dias
me magoa e me rapta o sorriso,
penetro no livro, que me traz
uma juventude de séculos,
com o mesmo desejo
com que penetro
e descodifico,
como se virasse
páginas de pele quente,
o corpo de quem amo...
© Rita Pais


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