segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O POEMA SEM CHEGADA

Triste hoje
ter de seu
apenas esse luar opaco
apagadas estrelas
e esperanças

Triste mirar
calçadas ásperas
ausentes de açucenas
e roseiras
que um dia ornamentaram
o corrimão de cores
o vento
de odores
sonhados

Cansado esse olhar
sem horizonte
esse vômito
de indignação na retina
cujos riachos
secaram

e esse tempo
só perda
rondando o peito
só medo
a fala de máscaras
onde um dia floriu
o grito de cada descoberta
o veludo
de cada remanso
o belo do mosaico
de cores
resplandecendo
os amanheceres
onde os pés raízes
se alimentaram

Quieto esse pavor
que encobre amores
poemas rimados pelos gestos
sem estudos
fraternos e ternos
das sertanejas canções
enebriadas
de sorrisos
emocionados
do clarão aberto
nas clareiras
que o sonho abria
e fabricava

Pérfida essa longa
estrada
sem indicação
de retorno
sem flores nas bordas sem verdes
de pastos
e pássaros

Inútil essa noite
sem vaga-lumes
feito esse passo
automático
de rumo incerto
desatinado
sem local de chegada
escrito nos pés
que se arrastam

- Bruno Junger Mafra -
 

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