domingo, 20 de outubro de 2013

“BEBER A GRAÇA DA VIDA”

A água virgem a saltar vem descendo
À rude concha que um sol velho afaga.
É um líquido cristal, livre, escorrendo
Do cadinho puríssimo daquela fraga…

Hei-de aprender, amor, a tua graça,
A graça da tua voz com que murmuras,
Para a nossa voz ser água que passa,
E as nossas bocas ficarem mais puras!

Pássaros do campo e aves do monte,
Bebam as gotas de orvalho da aurora
No meio da paz consoladora do horizonte!

Nós vamos com os lábios escaldantes agora,
Numa febre de amor indefinida, minha querida,
Amar e beber sem parar, a graça da vida!...

Alfredo Costa Pereira
 

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