terça-feira, 24 de setembro de 2013

Em voo Alto

Voei
Vim ver o bem-te-vi
Cheguei num voo tranquilo
Pois ouvi cânticos
E sorrindo me perdi
Num soneto de bem-te-vi
Parecia Garrett com seu violino
E cantei juntinho
bem-te-vi bem -bem-te-vi
Era lindo a sua melodia
Meus ouvidos erguem-se ao som de seus cânticos
Cada vez mais alto
Tão alto que acariciei o Céu
Mais de perto
Vi o branco das nuvens
Mais macias!
E com meu olhar direto
Dando graças a Deus
E o azul celestial
Clareava o meu coração
Sorrindo disse:
Bom dia Jesus
Ele de longe me respondeu
Eu feliz lhe disse
Obrigada por me permitires
Que eu fosse a ave que sempre quis ser
Sorrindo me despedi
Meu voo eu fiz...


MARIA FERNANDES
 
Nos meus olhos a floresta vive!
Existe a tranquilidade das árvores centenárias
A melodia dos pássaros
As flores silvestres que livremente nascem
Expandem-se, crescem para onde querem
O mergulho no ar puro da floresta
Sento-me, respiro, inspiro
Fico inebriada pela mistura de odores
Tudo cheira a paz
Nos meus olhos a floresta vive e o meu corpo revive!...
Beijo-te na floresta
Sabes a amoras silvestres
Cheiras a rosas pequenas e vermelhas
A tua voz é melodiosa
Amo-te na floresta...Na cabana imaginária,
onde os nossos corpos vivem em harmonia
soltos, puros, a leveza dos meus dedos são uma suave brisa,
esquece a ventania da cidade amor, vem comigo...vem viver!
(Cris Anvago)
 
Vidas Passadas

Através do tempo, no rio do silêncio
deixo-me levar de olhos fechados
e minha pele se arrepia…
quantas vidas já viveram
neste meu corpo cansado?
Quantas bocas me beijaram
quantos abraços me apertaram
quantas mãos se deram a mim
que montes e vales percorri
que países me acolheram
em vidas passadas…
Que sombras me assombraram
que olhos me olharam
quantos sorrisos me deram?
Quantas lágrimas choraram, se ainda elas perduram…
nesta minha alma tão extasiada…
que ventos me enlevaram no infinito do Cosmos
e quantas vezes terei de renascer neste Universo
de gloriosas cores, de estrelas sorridentes no firmamento?
E as luas, quantas ainda verei?
Quero ainda viver mais esta vida, mas na próxima
não quero mais renascer, noutro plano, me deixem ficar
a aprender, a ensinar, a lutar pela forma mais correta de amar!

Alda Melro.
 
LEVA CONTIGO ESTA ALMA

Leva contigo esta alma, é só mais uma…
foram tantas, que contigo tens levado!
A saudade é uma praia onde a espuma
se apegou a campos que tens lavrado.

Leva contigo este corpo qu’ele ruma
por ti, ao infinito e sem pecado,
ele vê na luz da aurora a voz da bruma,
os grilhões com que o tornas-te tão pesado.

Leva contigo esta alma já cansada,
mísero farrapo, que é um quase nada…
e usa uma chaga em vez do coração.

Ela que já foi grande, moça e menina,
é uma triste pedinte e pequenina,
traz na alma, amarga voz da solidão.

Manuel Manços
 
SONHOS FELIZES

Sonhei que estava acordado,
Olhei pró céu e te vi:
Eras ùa estrela brilhante!
Fiquei tão iluminado,
Na luz que vinha de ti,
Que acordei naquele instante…

Ali estavas junto a mim,
Na nossa cama, deitada,
De olhos fechados dormias…
Entre lençóis de cetim,
Era quase madrugada,
Eu te olhava e não me vias…

Sem teu sono perturbar,
Ali fiquei te adorando,
Minha razão de viver!
Esperei pelo teu acordar,
Comigo estavas sonhando:
A dormir te ouvi dizer!

Abriste os olhos, enfim!
Nos olhámos e sorrimos,
Talvez a lembrar dos sonhos…
Eu contei-te e tu a mim,
O que a dormir sentimos,
Que acordámos tão risonhos!...

José Manuel Cabrita Neves
 
SILENCIO
Quando o meu coração precisa entender-se com a minha consciência.
Quando preciso reprimir alguns sentimentos.

Quando estou diante de algo inacessível a mim.
Quando não admito ser magoada.

Quando imagino que um coração amado nunca chora.
Quando uma chuva de amor vence e afoga o desprezo.

Quando uma parte de mim é poesia que sonha.
Quando a outra parte vive uma desperta poesia,

Quando as ondas do mar me convidam para senti-las,
Em todo seu despojar de Natureza e vida...

Vanuza Couto Alves
 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

PÉTALAS ENVELHECIDAS

O meu coração
É uma flor
As pétalas fui desfolhar
Elas envelhecidas
Caíram, todas no chão

Á primeira perguntei
Porque envelheceste?
Foram as tristezas
Que tanto sofreste

A segunda voltei
A fazer a pergunta
A resposta não tardou
Alguém, muito te magoou

Á terceira
Foi diferente
A resposta voltou
Sequei, porque o amor acabou

Nada mais perguntei
Ali estavam as resposta
Do coração, não tomei conta
Não o reguei
As pétalas sequei

Amélia Amado