sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A viola

Em ti minha viola
encosto
e conto cantando
meus silêncios contados
e tantos outros por contar.
Retiro-te da sacola
e faço gosto
que sejas meu manto
tocando
meus segredos amados
meu ais e clamar
a mando de meus dedos.
Admiro-te
porque me ouves e vibras
sem um queixume
me dás paz
és lume de minha alma
e fazes sentir rapaz.

José rodrigues (zeal)
 
MAR ESPERA É ELE VEM O MEU AMOR

Num sufoco me encanto
Com tão belíssimas palavras
Noutra hora te respondo
Ou numa aurora
A madrugada vem caindo
Eu ainda te espero
Um desejo
Um alento
Um abraço
Um beijo
Mas o desejo...
É sincero!
Vem a noite
vai alta
Eu por ti ainda suspiro
Quero amar-te em maré alta
Para que as ondas nos escondam
O mar aflito nos socorre
Mas eu acredito que a lua nos salve
Anda, Lua minha ,
Encandeia o meu amor
Nada, ou tudo será perfeito
Num encaixe de peitos
O mar nos engrandece
E nós já somos os amantes
Perfeitos...
Há um amor aqui!!
Bem forte!
No meu peito e por ti eu ainda imploro
Vem vida minha!
Vem ao mar
Quero ver os teus olhos
E neles quero declamar
Quero ver a tua doçura
E a eles beijar
Quero te dar carinho
Ternura!
E num telintar da lua
Me afogar em ti
Doçura minha!!!

MARIA FERNANDES
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

DESILUSÃO

Bateu a minha porta
Numa hora imprópria
A triste desilusão...
Me pegou de jeito
Rompeu o meu peito
E me deixou assim...
Maltratado coração!
Oh! triste desilusão
Não aguento tristeza
Angústia, solidão!
Vai, voa pra bem longe
Mas antes trás de volta
Meu sorriso e a alegria
Me abandona, me solta!
Chegou tão intempestiva
Sem pressa, devagar...
Fez-se meiga, sorridente
Ninguém podia imaginar
Que pela porta da frente
Ela ali pudesse entrar...
Agora ando sozinho
Sem afeto, sem carinho
Perdido na escuridão
Como cego em tiroteio
Dormindo sem coberta
E em frio lençol alheio!

Genésio Cavalcanti 
 
Dedos acesos…

Nos meus dedos
Onde tudo começa…
Despertam ávidos
Os teus sonhos e segredos.

Estes meus dedos animados
Semeiam anseios e afagos…

Sedentos e perversos
Rendem-se aos encantos da tua pele.
Com jeito e calma dilaceram
O teu corpo e a tua alma…

As pontas dos meus dedos
Lascivos e quentes
Murmuram e respiram gestos

Inquietos e perfumados
Deslizam nos teus lábios sedentos

Colhem os teus suspiros quentes
Degustam e revelam-te em sussurros o que sentem.

Na inocência do momento
Inflamados e gulosos
Palmilham prazeres dissimulados e íntimos…

Desfazem os nós do teu cabelo e do teu dorso.

Buscam rimas intensas
E afogueiam o teu caminho…

Palpitam na loucura pura e divina!

Ganham calor, ritmo e toque…
Confessam e embalam o suor do nosso amor.

Germinam suaves e melodiosos
Ateiam incessantes paixões
Agitam-se e partilham luxúrias constantes…

Abraçam-te e desmontam mil vontades de ternura.

Neste jogo de sedução…

Os meus dedos nus e vagarosos
Percorrem espaços risonhos
E dissolvem os teus desenganos e mágoas.

Anunciam sorrisos
E acendem estrelas…

Na tua pele macia e sedenta
Desenham-te todo o meu amor…

Esboçam e fecundam doces acenos
Procuram-te sem fim…

Perdem-se e arrepiam-te em plena madrugada…

Os meus dedos amor
Deslizam nos teus
E neste enleio de dedos…
Seguem-te eternamente…de mãos dadas.

Telma Estêvão
 
CIO DA TERRA

está a terra em cio
nem os ventos glaciares
nem os doces rios
nem os mares
saciam
a terra negra e brava
querendo ser montada

está a terra em cimo
escorrendo suor
em água alagada
de pó estiada
sua vala aberta e lavrada
pede mais

chega de rebentos loucos
de cheiros amenos
de raíz pendurada
a terra em cio
quer ser montada

margarida cimbolin
 
No Baile …

Rodopiei dentro dos teus olhos
Brilhei !

Dancei o tango
a valsa
e
pensando tu …
ter chegado o fim da dança

olhaste p’ra mim,

beijaste-me os lábios
apertaste-me bem contra o teu peito

acariciaste-me os seios
e
voltaste a beijar-me do teu jeito perfeito

Fiquei feliz …
e
continuei dançando dentro de ti !

Magá Figueiredo.
 
Essência

Saboreio a ilusão,
Sonhos arderam.
Papel embaciado nos gestos.
Sopro a última lágrima,
Gota de encanto,
Evapora, cartas de sal.
Sou simplesmente pó,
Folhagem quebra.
Pecado engoliu,
Segredo tatuado na Lua.
Fragmentos de versos,
Amputados no choro do ventre.
Vazio arrebatado,
Paz que desconfia.
Exilio minha essência.

  Céu Pina