NÃO DIGAS
Não digas ao sol que eu sou o orvalho,
formado nas asas do sonho, distante,
que sou da saudade um cristal, migalho,
e ele crê que eu sou o mais belo diamante.
Não digas ao vento que eu sou uma lágrima
do teu olhar terno, meigo e penetrante,
Que a chuva ao beijá-lo desperta e anima
O meu peito vadio, coração errante.
Se o luar doirado ao beijar os teus lábios
retirar dos meus, os vocábulos mais sábios,
no Jardim de Éden, onde a amar te vejo.
Quero, quando eu já só for eternidade
ser uma luzinha abraçada à saudade
alumiando os campos do meu Alentejo.
Manuel Manços


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