domingo, 3 de novembro de 2013

Caverna

(a Ângelo Luís)

O olhar que engole as grades e parece
Não caber na fraca luz e a dura cama
Faz gelar o que é do sonho e escreve o drama,
Teoremas espectrais que a treva tece...

Pois de haver tão perto assim o que hoje cresce
Nos escárnios do trovão que se reclama
Dessa estaca pontiaguda, augusta flama
Nascerá no rosto a paz que se entristece...

No rigor da extensa ausência, na miséria
Que profere, dos recônditos da lama
A algemada solidão em sede inglória,

Mil volutas e protestos e proclamas:
O poeta come as pedras da vitória,
Noite longa sem ternura e amor sem dama!

Francisco Settineri.


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