quinta-feira, 24 de outubro de 2013

LINHA HORIZONTAL

há um silêncio penoso nas varandas da solidão
sentem-se os uivos dos lobos
rasgando o horizonte
querendo silenciar as vozes da razão

mastigam-se cardos e espinhos
em dolorosa agonia
sobram as sombras do amor
que em pleno dia
limpam lágrimas de dor

os espíritos na cabeça do vento
transportam ideias vagas
dor e sofrimento
derramam histórias passadas
que as minhas mãos já não alcançam

abraço pedras em brasa
e outros cães que falam
afasto-me da linha frisante

acaricio o rosto
ouvindo discursos sem asseio moral
que ferem tanto ou mais
que a lâmina de um punhal

neste silêncio penoso
não existe cabeça de fila
nem estrada de elefantes
ninguém acorda e se dá conta
do mal que nos aprontam
nesta linha horizontal

POR CFBB
(Carlos Fernando Bondoso Bondoso)




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